Animais Sertanejos
Pesquisa
A pintura, para mim, é um modo de observar como as formas se transformam. Interessa-me menos representar o mundo do que acompanhar seus processos de metamorfose: quando um animal se aproxima de uma montanha, uma árvore parece prolongar um corpo, ou um objeto deixa de ser utensílio para tornar-se organismo.
Minha produção articula pintura, objeto e instalação a partir de materiais como couro, madeira, penas, chifres, cobre e óleo sobre tela. Esses elementos não aparecem como referências ilustrativas ao sertão, mas como fragmentos de uma experiência que atravessa memória, imaginação e cultura material. São matérias que carregam histórias e que, ao serem reunidas, passam a produzir novas relações.
As pinturas e os objetos pertencem à mesma pesquisa. Ambos constroem paisagens onde as fronteiras entre animal, vegetal, mineral e humano se tornam instáveis. Nesse território, as formas permanecem abertas à transformação e a matéria deixa de ser suporte para tornar-se linguagem.



Acrílica sobre papel e tela e óleo sobre tela
Conatus
“Se abríssemos as pessoas, encontraríamos paisagens”.
A série leva em seu nome, uma frase da Agnes Varda.
Que paisagens afetivas carregamos em nós?
Ligação entre lugar, memória e subjetividade. As pessoas carregam dentro de si os lugares por onde passaram ou viveram, moldados pelos espaços, paisagens físicas e afetivas. Somos feitos de experiências geográficas, emocionais, sensoriais - que o mundo que nos forma está inscrito em nós. A paisagem é interna e é externa.
Uma pintura sensível, do intimo, do detalhe, e da relação profunda entre corpo, paisagem e memória. Essa pesquisa é um conjunto de aquarelas que mostram o Sertão nordestino.
Pintado com água, mas com pouca água. Suficiente para florir.
Aqui está o Sertão colorido e espinhoso depois das chuvas de meio do ano. Mas cuidado com as macambira e os cansanção.


série “Conatus", aquarela sobre papel, 2024
























