sejam felizes para sempre
Garrafa, água e azeite
Uma metáfora do matrimônio como espaço de coexistência não miscível. Dois elementos distintos, presos em um mesmo ambiente, sob o peso de uma promessa gravada no vidro – transparente, frágil, mas rígida.
Esta série investiga os espaços onde a convivência é simultaneamente promessa e condenação. As obras expõem o paradoxo fundamental: como negociar autonomia em sistemas que demandam unidade?
O vidro funciona como membrana – fronteira que separa e une. Um equilíbrio precário, onde 'para sempre' é menos uma certeza e mais um experimento em curso.
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Carimbos, colagens, transfers, desenhos e fotografias coletadas em antiquários sobre papel
OBJETOS
Os objetos surgem da mesma pesquisa que orienta minha pintura. São trabalhos construídos a partir de madeiras encontradas, penas, plumas, bainhas de faca, couro, ex-votos, fibras e outros elementos carregados de uso, memória e pertencimento. Cada material chega ao ateliê trazendo uma história anterior, um percurso que não procuro apagar, mas revelar.
Interessa-me a capacidade que esses elementos possuem de atravessar diferentes campos da experiência: o cotidiano, o trabalho, a religiosidade popular, o universo sertanejo e as narrativas ancestrais. Quando reunidos, deixam de ser apenas vestígios de uma função original para constituir novas presenças, capazes de sugerir rituais, criaturas, relicários ou instrumentos de uma cultura imaginada.
A madeira preserva as marcas do tempo; as penas e plumas evocam voo, transformação e liberdade; as bainhas de faca carregam a memória do corpo e do trabalho; os ex-votos introduzem a dimensão da crença, da promessa e da cura. Nenhum desses elementos aparece como ilustração de uma tradição específica. São tratados como matéria simbólica, aberta a múltiplas leituras.
Esses objetos habitam uma zona de fronteira entre pintura, escultura e assemblage. São construções em que a composição nasce tanto das qualidades formais dos materiais quanto das tensões poéticas que eles estabelecem entre si. Interessa-me produzir obras que pareçam ao mesmo tempo antigas e contemporâneas, familiares e enigmáticas, como se fossem fragmentos de uma memória coletiva cuja origem já não pode ser determinada.
Mais do que representar o sertão, busco revelar as forças invisíveis que nele persistem: os saberes transmitidos pela matéria, a espiritualidade inscrita nos objetos, a convivência entre delicadeza e resistência e a capacidade que a cultura popular possui de transformar a vida cotidiana em símbolo.















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